O filme

Documentários nascem de ideias e encontros; ideias sonhadas e realizadas, encontros inusitados e provocados. A ideia de coletar “entrevistas em vídeos com nomes expressivos do samba belorizontino” já estava impressa na publicação de julho de 1995 do projeto Faculdade do Samba, idealizado por Mestre Conga, Gilson Melo e Wilton Batata. A publicação tinha como matéria principal uma entrevista com a saudosa sambista de Belo Horizonte Lourdes Maria.

No final daquela década, o ainda estudante de história da UFMG Marcos Valério Menezes Maia incorporou-se ao projeto, e com a ajuda do Mestre Conga, aglutinou alguns maiorais do samba da capital mineira em torno do projeto Faculdade do Samba. Surge a Velha Guarda do Samba de Belo Horizonte e viabiliza-se uma parceria com o Centro Cultural UFMG que desde então cede semanalmente uma sala para reunião e ensaio dos mestres sambistas.

Em uma noite de terça-feira, em 2006, uma equipe de jovens da área do audiovisual, tendo a frente Carla Maia, Raquel Junqueira e Daniel Ribão, adentraram na sala em que o grupo de sambistas fazia seu ensaio semanal no Centro Cultural da UFMG.  Foi assim, de um encontro entre sambistas, um historiador e três realizadores de cinema que nasceu o projeto RODA.

A partir daí, a roda girou. Entre abril e maio de 2007, uma reduzida equipe de filmagem – Marcos, Carla e Raquel, acompanhados de Bruno Vasconcelos e Bernard Belisário no som, e Pedro Aspahan e Sérgio Borges na câmera – promoveu encontros entre alguns dos maiorais do samba de Belo Horizonte: Mestre Conga, Kalu, Jadir Ambrósio, Cézar de Aguiar, Rosalvo Brasil, Silvio Luciano, Juarez, Doneliza, Zé do Monte, Lagoinha, Mandruvá, Waltinho 7 Cordas, Dona Lúcia, Irmãos Saraiva, Ronaldo Coisa Nossa… Todos sambistas, mas também tipógrafos,  donos de bar, aposentados, advogados – o samba não serve para ganhar o pão, é um impulso, maldição e salvação. Das conversas, acompanhadas de cerveja e, claro, muita música, surgiram outros nomes de raiz: Popó, Xuxu, Pedro Saraiva, Lurdes Maria… Uma memória comum encontrou sua expressão na voz daqueles que ficaram para contar a história “por dádiva ou por defeito”, como diz Mestre Conga.

Foram gravadas quase 50 horas de material. Momentos únicos foram registrados. Entre eles, o desfile do carnaval de 2007 da Inconfidência Mineira, a mais antiga escola de samba de Belo Horizonte, fundada em 1950. Este, segundo Mestre Conga, foi seu último desfile como presidente, após 57 anos de  dedicação à escola. Na bateria, Kalu, seu irmão que faleceu pouco depois das filmagens. O filme aos poucos encontra seu compasso: muitas conversas, muitas lembranças, muitas músicas dedilhadas no imprevisto da roda e, de repente, mais um samba nascendo, cheio de enredos, entoando uma Belo Horizonte que poucos conhecem – Concórdia, Pedreira Prado Lopes, Buraco Quente… Uma experiência de escuta e canto.

O documentário RODA contou com o patrocínio da Fundação Municipal de Cultura de Belo Horizonte e foi finalizado com recursos da 4ª edição do Programa de Estímulo ao Audiovisual – Filme em Minas, promovido pelo Governo do Estado de Minas Gerais/ Secretaria de Estado de Cultura, em parceria com a Cemig, Companhia Energética de Minas Gerais.

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